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Vergonha Alheia

Pretendemos discutir a importância ética da vergonha como uma emoção que diz respeito à posição do sujeito diante da alteridade. Contaremos para esta tarefa com a contribuição de estudos históricos, antropológicos e filosóficos sobre o papel da vergonha na construção da cultura ocidental, fazendo também uma comparação desta com outras culturas, caracterizadas por vários pesquisadores como ‘’culturas da vergonha’’, as quais são frequentemente contrapostas às denominadas ‘’culturas da culpa’’. Posteriormente, procuraremos descrever as principais características psicológicas da vergonha, ou seja, o fato de a nosso ver se esta uma emoção eminentemente narcísica, se comparada com a culpa. Percebemos ainda, a íntima correlação entre as nações de honra e de vergonha, correlação esta que está presente em todas as culturas nas quais a vergonha ocupa posição ética privilegiada. Quanto à contemporaneidade, levantamos a hipótese de que a vergonha desatou-se do ideal de honra e uniu-se aos ideais de performance pessoas, da capacidade de consumo e de outros disponíveis na atualidade. Quando falamos do sentimento de vergonha, devemos saber que vergonha é o lugar do juízo alheio. Além disso, ter a consciência pela simples exposição, sem que acompanhada de juízo negativo por parte dos observadores. Com isso, muitos sentem vergonha por acharem que estão fazendo um juízo negativo a seu respeito.
Segundo Sartre (1943) a vergonha é o sentimento inevitável da consciência de ser para o outro. Sendo assim, a vergonha se estabelece no encontro da inferioridade e a exposição. No entanto, parece certo que a experiência da exposição real dever ser condição necessária para o despertar das primeiras manifestações uns aos outros. Contudo, se as apreciações vierem de alguém considerado capaz de julgar, o sentimento de vergonha certamente será experimentado, pois haverá uma legitimação do juízo. Dessa maneira, o envergonhado é cúmplice das apreciações negativas de que é objeto. Por isso, ver a si mesmo como forma negativa, causa desprazer e dor.

Vergonha 

Vergonha
Os julgamentos interpessoais são frequentemente expressão destes bloqueios, e em geral, salienta Lee-Manoel et alli (2002), influenciados por estereótipos. Para os autores, a aparência física constitui um parâmetro primário de informações durante uma interação inicial. Nesta linha os autores ainda apontam que as pessoas fazem sua inferências a respeito das outras tomando por base poucas características centrais, de maneira que os julgamentos são efetuam-se a partir de limitadas informações.
Lee-Manoel et alli(2002) ainda ressalvam que para a realização dos julgamentos feitos com base na aparência da aparência física se determinem há a existência de uma série de fatores além da mera harmonia e equilíbrio dos traços fisionômicos. De forma que, embutido nos parâmetros norteadores de apreciação do aspecto exterior de pessoas em relação ao outro, “encontram-se também a forma e proporção do corpo, a maneira de se vestir, de gestualizar, a higiene e cuidados corporais e o quanto o conjunto e composição de traços faciais aproximam-se do ideal de beleza de determinada cultura”.

Culturas da culpa e da vergonha 

Ruth Benedict (1989 [1994]) em seu estudo sobre a cultura japonesa realizado imediatamente após a segunda guerra mundial, fez referencia a uma distinção, tomada célebre, entre o que se denominou culturas da culpa e culturas da vergonha, estas últimas representadas pela própria cultura japonesa:
As culturas da vergonha baseiam-se em sanções externa para atingir-se o bom comportamento e não, como as culturas da culpa, em uma convicção internalizada do pecado. A Vergonha é uma reação à avaliação crítica de outras pessoas. Um homem fica envergonhado por ser abertamente ridicularizado e rejeitado, ou ainda por fantasiar ser objeto de ridículo. Em ambos os casos isto é uma sanção potente. Ele requer, portanto, uma audiência, ou pelo menos a fantasia de uma audiência. A culpa não ocorre deste modo. Em uma nação onde a honra sobrevive graças à imagem que cada um faz de si, um homem pode sofrer de culpa mesmo que ninguém saiba de sua falta e o sentimento de culpa pode ser atualmente aliviado pela confissão do seu pecado.” (Benedict 1989 [1946] p. 223). As culturas da culpa e da vergonha se distinguiram, portanto, em função de alguns critérios:
1 - internalização⁄ externalização da instância de avaliação moral. 
2 - possibilidade ou não de reparação através da confissão.  
3 - necessidade ou não do olhar do outro para o desencadeamento e manutenção de uma emoção penosa e, por fim.
4 - sentimento de reprovação de si ser resultado de comparação a uma lei moral abstrata ou a uma figura humana concreta. Uma ética baseada na culpa se caracteriza pelo processo de internalização, que prescindiria de um olhar concreto ou fantasiado de um outro ser humano específico. A culpa é ligada a uma noção de dívida que pode ser reparada e confessada, ocorrendo o sentimento quando o sujeito mede suas ações por relação a mandamentos abstratos. Uma ética baseada na vergonha apresenta certa exterioridade da figura moral, que por este motivo não pode prescindir de um olhar específico do outro para sua noção de dever. O sentimento de vergonha já é ele mesmo um castigo e determinados atos vergonhosos não podem ser reparados em vida. A vergonha é sempre desencadeada pelo testemunho de um outro, concreto ou fantasiado, a um ato reprovável do sujeito e deste modo está profundamente enraizada na noção de hierarquia. O sentimento de vergonha e sua intensidade dependem do lugar ocupado por este outro na economia psíquica, culturas da vergonha os atos não têm valor em si, sendo seu valor conferido pela posição hierárquica de quem o está testemunhando.

Honra como narrativa 

Quando um ser humano conhece a vergonha, passa também a conhecer os atos passíveis de serem incluídos sob seu domínio. Junto a sensações corporais e um tipo específico de dor moral, alia-se um conjunto de ideias que fazem com que o sujeito envergonhado sinta-se, de forma absoluta, colado ao ato que realizou. Ele passa a ser antes de qualquer coisa, aquele que o realizou. Esta colagem ocorre porque ele também acredita que seu ato foi vergonhoso, porque ele aprendeu a aderir incondicionalmente aos valores que seu ato contraiu. Ele aprendeu a seguir o modelo de outros seres humanos cujos comportamentos não são cobertos pela vergonha, seres humanos por cuja tradição ele deve zelar através de sua própria conduta. Quando alguém rompe com esta tradição, o que se rompe não é a aprovação da pública com respeito às ações deste alguém, mas sim sua própria capacidade de autoconhecimento como um ser humano de valor. O ensino muitas vezes precoce da vergonha tem por objetivo uma proteção contra esta penosa emoção, através da antecipação de seus efeitos e da evitação de situações vergonhosas.

Característica narcísica da vergonha 

Ao discutirmos sobre amor próprio e reconhecimento de si, devemos mencionar a última característica da vergonha, antes de adentrarmos na comparação entre todo o exposto acima e a contemporaneidade. Trata-se do seu caráter narcísico. Antes de prosseguir faço a ressalva de que foge aos objetivos desse trabalho discutir sobre o conceito psicanalítico de narcisismo em correlação com a vergonha. Permaneceremos num viés descritivos, o qual, curiosamente, coaduna-se com a opinião de vários autores que utilizaram o referenciam psicanalítico ao se debruçarem sobre o tema da vergonha (ver de Gaul, 1996, Tisseron 1992, Green, 2003), corroborando seu caráter narcísico.
Ao contrário do que ocorre na culpa, quando se experimenta uma dor moral pela suposição de que o outro que avalia nossas atitudes é hostil, na vergonha a opinião da testemunha pode ser neutra ou indiferente. O que importa na vergonha é o que o sujeito atribui ao outro, o que ele sentiria se estivesse no lugar do outro. O sentimento é pior na presença deste outro, mas não desaparece em sua ausência. Mesmo que o observador externo não veja motivo para vergonha num determinado ato, ou não se perceba testemunha de um ato vergonhoso, a emoção ocorrerá, caso o sujeito, segundo seus valores, perceba estar cometendo algo que o coloque em situação de desvantagem aos olhos de um outro potencial.

Contemporaneidade: Vergonha sem honra? 

A descrição mais ampla do momento em que estamos vivendo é um daqueles temas polêmicos, o qual desperta acalorado debate, principalmente quando o ponto de pauta é a existência ou não de descontinuidade histórica da atualidade com período anterior consagrado como modernidade. Não pretendo participar agora de um debate tão abrangente, entretanto não posso deixar de me posicionar no sentido de demonstrar que há novidades na expressão atual da vergonha, bem como discutir algumas consequências deste fato.
O privilégio concedido à culpa na cultura ocidental a partir da hegemonia do cristianismo, foi paulatinamente deslocando a vergonha para uma posição ainda importante, mas marginal do ponto de vista ético. O surgimento da noção de pudor por volta do século XVI (Bologne 1990), por exemplo, que passou a significar uma justa vergonha ligada principalmente ao comportamento sexual da mulher, contribuiu para que a vergonha se atrelasse cada vez mais à sexualidade. Sabemos que muito antes disso, uma das imagens representativas da vergonha era vergonha da nudez, porém todo o exposto neste trabalho demonstra que esta emoção tinha inúmero outros referentes, além do sentimento de inferioridade ocasionado pela exposição dos genitais.
Podem dizer, resumidamente, que esta sexualização da vergonha, posta em marcha sobretudo na modernidade, fez com que ela ainda ocupasse um lugar de peso na regulação das relações sociais. Em relação às mulheres, a modernidade ainda manteve apertado o laço que unia vergonha e honra, enquanto que entre os homens este último ideal se bifurcou entre os domínios da vergonha e da culpa. Como propõe Sennett (2004, p.138) ‘’A diferença está entre a transgressão que produz a culpa, e a inadequação que gera vergonha’’. A vergonha também adquiriu um papel relevante na delimitação entre os domínio públicos e privado, separação paradigmática da modernidade. A vergonha emergia todas as vezes que algo próprio ao espaço privado surgia indevidamente no espaço público. Tal sentimento participava, assim, do mapeamento sobre o espaço intimo levado a cabo constantemente pelo indivíduo moderno.
Acredito que as modificações recentes no panorama da vergonha, acompanham as mudanças subjetivas do homem contemporâneo. Novos rearranjos da relação entre público e privado com a cultura do espetáculo, a imposição crescente do consumo de bens, a revolução digital, a permanente necessidade de estimular os órgãos dos sentidos, a mudança na relação entre os gêneros e entre as gerações, entre inúmeros outros fatores propostos recentemente, participam do triplo deslocamento da vergonha na contemporaneidade. Este deslocamento caracteriza-se por:
1- Reforço negativo sobre a vergonha no espaço público; 
2- Separação entre vergonha e honra; 
3- Solidariedade crescente entre vergonha e déficits ligados à performance individual.
Sobre o primeiro deslocamento é suficiente apontar para o estímulo à superexposição da intimidade seja na mídia, seja em outro instrumento que coloque o sujeito em contato com espaço público. Esta exposição, valorizada positivamente, é por vezes definida como postura agressiva ou ativa, qual auxilia o sujeito a conseguir empregos, fazer amizades ou galgar progressos na vida sexual ou amorosa. A vergonha passa a ser um obstáculo permanente ao sucesso individual, alcançado, como veremos, um status inédito de patologia.

A Antropologia da Vergonha 

O sentimento de vergonha está presente em todas as culturas e, uma vez que é condicionado pelo olhar do outro, está disposto conforme as normas estipuladas por essas culturas (SCHWEDER, 2003). Há certamente diversas interpretações para esse sentimento ou para suas expressões linguísticas. Em algumas culturas é vergonhoso para o indivíduo ter muitas posses, enquanto que o desprendimento dos bens materiais e o apego ao que está além deste mundo (portanto, não material) é motivo orgulho. A ‘’salvação’’ não está na ostentação de bens mudamos. Ainda assim, o julgamento de outro é fundamental. O que está em jogo é a percepção da falha causada pelo reconhecimento de uma discrepância entre a consciência individual e o olhar do outro (SCHWEDER, 2003).
A vergonha envolve o indivíduo como todo (psique e corpo) e, de forma diferente dos sentimentos elementares (puros e simples, tais como tristeza ou medo), é aprendida a partir da capacidade cognitiva do indivíduo (HELLER, 2003). O sentimento de vergonha só pode ocorrer com os indivíduos socializados e é deflagrado através de um gatilho construído a partir do que é aprendido socialmente (LEWIS, 2003), numa dependência do ambiente cultura.
A vergonha é o sentimento mais frequentemente utilizado no processo de aculturação, diminuindo diferenças sociais e individuais. A educação utiliza a vergonha como forma de limitar e homogeneizar os comportamentos do indivíduo, criando padrões de comportamento. Parece claro que a educação, assim como qualquer outro processo de aculturação, está sujeita à dinâmica cultura e à consequente modificação dos hábitos, crenças, comportamentos e atitudes (BAUDRILLARDE, 2000).
O sentimento de vergonha está ligado não só às variações culturais das sociedades, mas também às mudanças manifestadas por estas e suas culturas ao longo do tempo. Assim, diferenças culturais entre povos promovem diferentes percepções de vergonha e diferente ações dos indivíduos. As comunidades culturais têm idéias diferentes, não somente a respeito do que é com, verdadeiro e belo, mas também sobre o que deve ser prática social, política ou familiar aceitável (SCHWEDER, 2003). Do mesmo modo, nada impede que o que é reprovado ou mal compreendido hoje deixe de sê-lo em algum momento. A dinâmica cultural é sensível ao tempo e às mudanças perceptivas da sociedade. Dessa forma, teremos percepções culturais diferentes sobre o que é vergonhoso que provavelmente não serão preservadas ao longo do tempo.

A Sociologia da Vergonha 

Do ponto de vista da sociologia, o sentimento de vergonha está intimamente relacionado à percepção de que o indivíduo está sendo observado pelo outro, pela comunidade. Uma vez que realize suas atividades de acordo com as normas da comunidade, não se sentirá envergonhado, na medida em que é provado aos olhos do outro. Entretanto, se o indivíduo se comporta de forma a infringir as regras da comunidade, o sentimento de vergonha surgirá (HELLER, 2003). A vergonha, portanto, sendo um sentimento doloroso e que o indivíduo supostamente evitar a todo custo, funciona como um poderoso instrumento de controle social.
Contudo, não é só a regra comum que limita as ações do indivíduo. Ser ou parecer diferente também é considerado vergonhoso (HELLER, 2003). Ainda assim, o olhar do outro permanece como julgador do processo. Aquele que se julga diferente não sente vergonha por isso, sente vergonha na medida em que os outros o julgam diferente. Mesmo que o indivíduo esteja fora de seu local habitual de relacionamento e não seja conhecido por nenhum outro indivíduo a sua volta, não obstante, ele sente intervenção extrema em seus atos ou pensamentos. A vergonha não está atrelada apenas ao olhar dos outros ‘’significantes’’.
Uma vez que o olho do outro é a comunidade, o indivíduo está exposto a ele não só de forma pessoas, mas também como membro da comunidade. A autoridade externa não confronta o indivíduo de forma exclusiva, pois ele é visto como elemento incorporado do comportamento de sua comunidade (em maior ou menor dimensão). O indivíduo transgressor transmite para sua comunidade parte de sua transgressão e a vergonha é socializada (HELLE, 2003).
A percepção acerca da disfunção erétil do homem foi modificada na medida em que a vergonha de não corresponde às expectativas da parceira superou a vergonha de se admitir a própria disfunção erétil. O homem procura o médico e se dispõem a comprar determinado medicamento, uma vez que a insatisfação daquele com quem se relaciona causa mais vergonha (e dor) do que a desconfiança do farmacêutico ou o fato de tornar o problema público. Da mesma forma, a preocupação e a cobrança da juventude com relação à performance sexual fez com que os jovens também passassem a recorrer aos medicamentos estimulantes das funções eréteis. Mesmo sem apresentar algum problema, os jovens se preocupam com a medição social de sua capacidade sexual. Proporcionar menos prazer, geralmente medido pela duração do ato, é motivo de vergonha por parte daquele que interrompe o ato sexual.
Algumas relações sociais podem ser estipuladas a partir do consumo em comum. Pode ser considerado vergonhoso interromper o trabalho de um conhecido para se conversas amenidades ou quaisquer outros assuntos estranhos ao ambiente de trabalho. No entanto, se o colega o procura para saber como ele conseguiu arrancar mais dois cavalos de potência do motor de seu automóvel ou qual era a receita daquele prato servido no almoço da firma, não há reprovação. O grupo se identifica e se permite a partir do que consome e determina coletivamente a percepção de vergonha.

A Psicologia da Vergonha 

Moore e Fine (1992) referem-se à vergonha como um amplo espectro de emoções penosas – embaraço, humilhação, modificação e ignomínia – que acompanham o sentimento de ser rejeitado, ridicularizado, exposto ou de perder o respeito dos outros. Experiências inicias como ser visto, olhado ou escarnecido são importantes na produção da vergonha.
A vergonha assemelha-se à ansiedade pelo fato de ser um sinal afetivo, que alerta a respeito de desejos exibicionistas e antecipa a rejeição pelo mundo externo ou pelo superego, no caso dos desejos serem gratificados. Pode-se experimentar a vergonha por expor alguma coisa em particular ou pelo ato de expor. Pode-se temer ser rejeitado ou ser visto como imperfeito, falho, fraco, sujo, deficiente, ridículo ou ignóbil, ou então pode-se ficar com um medo geral e ser olhado, ouvido e ser ouvido. Todos os méis de exposições desse tipo, até mesmo a própria curiosidade, tornam-se então carregados de vergonha e têm de ser desviados (MOORE e FINE, 1992).
De uma perspectiva freudiana, a meta fundamental da pisque é manter – e recuperar, quando perdido – um nível aceitável de equilíbrio dinâmico que maximizar o prazer e minimizar o desprazer. A energia que é usada para acionar o sistema nasce no id, que é de natureza primitiva, instintiva. O ego, emergindo do id, existe para lidar de forma realista com as pulsões básicas do id e também age como medidor entre as forças que operam no id e no superego e as exigências da realidade externa. O superego, emergindo do ego, atua como um feio moral ou força contrária aos interesses práticos do ego, fixando uma série de normas que definem e limitam a flexibilidade deste (FADIMAN e FRAGER, 1986).
Freud distingue vergonha de ansiedade e culpa, classificando a culpa como uma espécie de ansiedade e a vergonha como resultado da ansiedade. A vergonha é um doloroso sentimento consciente situada no ego, que envolve a referência de outros. A vergonha é vista como um tipo de medo da reprovação, imposta por outro devido a certos tipos de conduta e que tende a inibir ou prevenir completamente tais consultas (HAZARS, 1969).
A vergonha é também um produto das forças sociais. Freud destaca o papel da educação para o surgimento da vergonha. Para que possamos ter medo da reprovação dos outros, devemos descobrir primeiro o tipo de atividade que será reprovada e conhecer quão dolorosa será esse reprovação. Esse aprendizado está obviamente ligado à educação; ao final, uma forma de pressão social (HAZARD, 1969).
Nesse ponto, a psicologia social coloca a pressão do grupo e a propaganda social como limitadores das ações de indivíduo. Elas agem para diminua a autonomia e reprimir o julgamento independente, na medida em que o indivíduo é pressionado para substituir seus próprios gostos e critérios por padrões externos e sociais (FADIMAN e FRAGER, 1986). Os padrões sociais servem como instrumento de definição dos critérios utilizados para avaliar do que seja bom ou mau resultado. O conteúdo do autoconceito deriva fato de alguém assumir o papel dos outros para olhar a si próprio de forma retrospectiva. Provavelmente, o indivíduo aprovará aqueles aspectos próprios de si mesmo que os outros aprovam e rejeitará aqueles aspectos que os outros rejeitam. A vergonha (autodesaprovação) deriva do primeiro reconhecimento que a pessoa faz dos modelos que os outros usam para exprimir sua aprovação ou desaprovação do comportamento ela (FADIMAN e FRAGER, 1986).
Quando vai consumir, o indivíduo conta com os sinais advindos de seu sentimento de vergonha. Suas experiências anteriores são trazidas à mente e a vergonha funciona como um sinal afetivo de alerta sobre determinados desejos. Ao escolher determinado perfume, o indivíduo conta com suas percepções anteriores a respeito de sensações de determinado aroma e projeta a avaliação de terceiros. O aroma muito doce pode ser indicação de uma idade mais madura e o indivíduo se envergonha da idade que tem. O aroma cítrico pode ser percebido como mais jovial e mais de acordo com a imagem que o indivíduo quer que seja projetada por terceiros. A escolha leva em conta as experiências individuais e as projeções sobre as percepções externas.

Uma Conceptualização da Vergonha 

Podemos observar uma certa convergência das abordagens multidisciplinares apresentadas. Verificamos em maior ou menos grau – considerando o objeto central de estudo de casa disciplina – que o sentimento de vergonha está ligado à interação entre componentes individuais e sociais. Dessa forma, distinguimos dois componentes importantes para a construção de nosso conceito de vergonha: o componente interno – que expõem o comportamento do indivíduo ante sua consciência – e o componente externo, representado pelas limitações, podemos observar melhor a composição das ações dos indivíduos e perceber o papel da vergonha como normalizadora/integrado desses dois campos.
Da perspectiva de que o olhar do outro é permanente, o indivíduo nunca está sozinho. Assim, ele se vê diante do problema de conciliar seus desejos com as normas culturalmente aprendida e socialmente aceitas. Ele precisa avaliar seu comportamento como consiste ou inconsistente com seu desejo interno e, ainda, levar em consideração o que seria classificado pela sociedade como aprovável ou reprovável. O olhar do outro – o julgamento da comunidade – frequentemente é internalizado e, dessa forma, acompanha os indivíduos, mesmo quando estão sozinhos ou diante de desconhecidos. A função da vergonha é interromper qualquer ação que viole os normas ou padrões determinados, tanto internamente quando externamente (LEWIS, 2003).
Obviamente, temos de considerar que a vergonha serve como sentimento de interação entre os universos interno e externo do indivíduo e que, portanto, auxilia na compreensão desse processo de forma mais direta. A combinação dos componentes individual e social nos leva a propor um quadro referencial para a compreensão do sentimento de vergonha, que será útil na observação e no estudo da vergonha na realidade de consumo. 

Você pode citar este artigo: 
Fonte: Empresas de sucesso, Vergonha Alheia. Pesquisa: Fabiano Rodrigues. Disponível em: http://www.empresasdesucessos.com/2014/03/vergonha-alheia.html 

Referência:
1* HOLBROOK, M. B. (Ed.). Consumer value: a framework for analysis and research. Londres: Routledge, 1999. (Routledge Interpretative Mar keting Series).
2* COTTLE, Michelle. O surgimento da sociofobia permite vislumbrar a natureza subjetiva da psiquiatria. New Republic, 06/09/2001
3* NARDI, Antonio Egídio. Transtorno de ansiedade social: fobia social, a timidez patológica. Belo Horizonte: Medsi, 2000.
4* GIDDENS, Anthony. As conseqüências da modernidade. São Paulo: Ed. UEP, 1991.
5* LUTZ, Catherine e WHITE, Geoffrey. 1986. "The Anthropology of Emotions". Annual Review of Anthropology, 15, p. 405 - 436. *O consumidor envergonhado - reflexões sobre o sentimento de vergonha no marketing
6* WAGNER, J. Aesthetic value: beauty in art and fashion. In: HOLBROOK, M. B. (Ed.). Consumer value: a framework for analysis and research. Londres: Routledge, 1999. (Routledge Interpretative Marketing Series).
7* Vergonha - Wikipédia, a enciclopédia livre
8* Origem da palavra vergonha - Origem Da Palavra - Site de Etimologia
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5 comentários:

  1. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

    Muito engraçado!

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  2. O vovô está de saco cheio...

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  3. fizeram uma cesariana naquele animal eu vi uma escrota saindo de lá do ventre o bicho morto......

    (sim eu sei quem é a figura já li à respeito desta idiota que comprou um cavalo e o matou para se esfregar nas entranhas do bicho, assim li em outro blog)

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  4. o velho ta parecendo o frango da bruxa do 71

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  5. Muito bom xD


    http://www.insanidadeshumanas.com.br/

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