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O relevo brasileiro e sua classificação

O território brasileiro é formado por estruturas geológicas antigas. Com exceção das bacias de sedimentação recente, como a do Pantanal Mato-grossense, parte ocidental da bacia amazônica e trechos do litoral nordeste e sul, que são do Terciário e do Quaternário (Cenozóico), o restante das áreas tem idades geológicas que vão do Paleozoico ao mesozoico, para as grandes bacias sedimentares, e ao Pré-cambriano (Arqueozóico-Proterozóico), para os terrenos cristalinos.
No território brasileiro, as estruturas e as formações litológicas são antigas, mas as formas do relevo são recentes. Estas foram produzidas pelos desgastes erosivos que sempre ocorreram e continuam ocorrendo, e com isso estão permanentemente sendo reafeiçoadas mudando de forma.
Desse modo, as formas grandes e pequenas do relevo brasileiro têm como mecanismo genético, de um lado, as formações litológicas e os arranjos estruturais antigos, de outro os processos mais recentes associados à movimentação das placas tectônicas e ao desgaste erosivo de climas anteriores e atuais. Grande parte das rochas e estruturas que sustentam as formas do relevo brasileiro são anteriores à atual configuração do continente sul-americano, que passou a ter o seu formato depois da orogênese andina e da abertura do Oceano Atlântico, a partir do Mesozoico.
O território brasileiro possui uma grande diversidade de formas e estruturas de relevo, como serras, escarpas, planaltos, planícies, depressões, chapadas, cuestas e muitas outras.
Apesar de tentativas anteriores, somente na década de 1940 foi criada uma classificação dos compartimentos do relevo brasileiro considerada mais coerente com a realidade do nosso território. Ela foi elaborada por um dos primeiros professores do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP), Aroldo de Azevedo (1910 – 1974), que considerando as crosta altimétricas, definiu planaltos como terrenos levemente acidentados, com mais de 200 metros de altitude, e planícies como superfícies plenas, com altitudes inferiores a 200 metros. Essa classificação divide o Brasil em oito unidades de relevo, com os planaltos ocupando 59% do território e as planícies, os 41%.
Em 1958, Aziz Ab´sáber, também professor do Departamento de geografia na USP, publicou um trabalho propondo uma alteração nos critérios de definição dos compartimentos do relevo. A partir de então, foram consideradas as seguintes definições:

Estruturas e as formas do relevo brasileiro e classificação

O relevo brasileiro e sua classificação
Planalto – área em que os processos de erosão superam os sedimentos.
Planície – área mais ou menos plana em que os processos de sedimentação superam os de erosão, independentemente das cotas altimétricas.
Adotando-se essa classificação, o Brasil apresenta não oito, mas dez compartimentos de relevo; os planaltos correspondem a 75% da superfície do território e as planícies.
Em 1989, Jurandyr L. S. Ross, outro professor da Universidade de São Paulo, divulgou uma nova classificação do relevo brasileiro, com base nos estudos de Ab´saber e na análise de imagens de radar obtidas no período de 1970 a 1985 pelo Projeto Radambrasil. Este projeto consistiu num mapeamento completo e minucioso do país, no qual se desvendam as potencialidades naturais do território, como minérios, madeiras, solos férteis e recursos hídricos.
Depressão – relevo aplainado, rebaixado em relação ao seu entorno; nele predominam processos erosivos.
É importante destacar que cada nova classificação não substitui completamente a anterior. Note, comparando os mapas, que os limites dos compartimentos não são muito diferentes entre si. Porém, como os recursos tecnológicos disponíveis em 1989 em eram muito mais avançados que os utilizados nos levantamentos anteriores – Azevedo e Ab`Sáber fizeram muitas observações in loco de boa parte do território brasileiro, muitos apenas de máquinas fotográficas e auxiliados por poucas imagens aéreas , o detalhamento e a precisão das informações são muito maiores no mapa de Ross.
Nas três classificações do relevo brasileiro que vimos, as áreas de sedimentação situadas em maiores altitudes, ou seja, as planícies encaixadas em compartimentos de planalto, não aparecem porque a escala utilizada para retratar o país interior num único mapa não permite um grau de detalhamento que contemple pequenas planícies. Por isso, o Vale do Paraíba, uma bacia sedimentar localizada entre as serras do Mar e da Mantiqueira, não aparece nessas classificações, por ser uma planície encaixada no Planalto Atlântico (Azevedo), nas Serras e Planaltos do Leste e Sudeste (Ab`Sáber) ou nos Planaltos e Serras do Atlântico – Leste – Sudeste (Ross).

Relevo Brasileiro 

Os pontos mais altos do relevo brasileiro (que, no geral, é marcado por baixas altitudes) são: o Pico da Neblina (com 2993,78 metros de altitude) e o Pico 31 de Março (com 2972,66m de altitude.
As baixas altitudes dos relevos brasileiros são devido ao Brasil estar situado sobre uma enorme placa tectônica onde não há choque com outras placas, que originam os chamados dobramentos modernos, que resultam do movimento de colisão entre placas, onde uma empurra a outra chamado movimento convergente.
Além de divisores de águas das bacias fluviais do Orinoco (na Venezuela) e do Amazonas (afluentes da margem esquerda, ao norte), servem de fronteiras entre o Brasil e os países vizinhos ao norte: Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa.

Depressões do Relevo Brasileiro 

Sob o ponto de vista de influência da estrutura geológica nas formas de relevo, ou seja, morfoestruturalmente, na região Centro-Oeste e no Meio-Norte do Brasil surgem às chapadas com seus topos horizontais e declividade acentuada nas bordas. As chapadas do Centro-Oeste, como a dos Parecis e dos Guimarães, são divisores de águas entre as Bacias Amazônicas, Platina, do rio São Francisco e do Rio Tocantins.
No Nordeste Oriental a Depressão Sertaneja e do rio São Francisco sofreram transgressões marinha, o que contribuiu para a presença de fósseis de répteis gigantescos na Chapada do Araripe e em jazidas de sal-gema (cloreto de sódio) encontrado no subsolo. Na história do Brasil, tais jazidas de sal-gema eram chamadas de ‘’barreiros’’ – elas facilitam a expansão da pecuária pelo Sertão do Nordeste e pelo Piauí, através dos eixos dos rios São Francisco e Parnaíba.
No Sul e Sudeste do Brasil, as depressões desenham um grande, representado pela Serra Geral, separando os terrenos do Planalto Cristalino (continuação da Serra do Mar no Sul) dos terrenos do Planalto Arenito-Basáltico. Entre este e o Planalto Vulcânico há um linha de ‘’cuestas’’, relevo dissimétrico produto de erosão diferencial sobre camadas de rochas de resistências diferentes aos agentes externos do relevo.
As ‘’cuestas’’ apresentam uma encosta íngreme de um lado (frente de cuesta) e outra levemente inclinada. Essa escarpa levemente inclinada é constituída de rochas magmáticas metamórficas mais resistentes à erosão. Por outro lado, a frente de uma cuesta é formada de terrenos menos resistentes.

Recursos Hídricos Brasileiros 

O Brasil é um país de fartos recursos hídricos – 35.000 m³ per capita, enquanto na Alemanha é de apenas 1,500 m³ per capita; e possui 15% da água doce do mundo. No entanto, alguns rios já se apresentam bastantes poluídos, como os rios Tietê (em São Paulo) e Paraíba do Sul e o Rio Arrudas (em Belo Horizonte). As bacias fluviais compreendem o rio principal (em nível de altitude mais baixo) e os seus afluentes (em nível mais alto), bem como toda a superfície drenada por eles. A drenagem das bacias fluviais brasileiras é exorreica, isto é, o nível de base do rio principal corresponde ao nível do mar, onde está a foz ou desembocadura dos rios principais. A foz dos rios brasileiros é sobretudo em estuário: deságuam no mar num terminal só. Uma exceção é o rio Parnaíba, entre o Maranhão e o Piauí, que deságua em delta, como várias embocaduras no oceano. Alguns dos recursos hídricos brasileiros e de sua utilização devem se evidenciados.
Bacias Hidrográficas 
Bacia Amazônica - É a de maior hídrico do Brasil devido aos seus afluentes, sobretudo os da margem direita (ao Sul do Amazonas) que, ao descerem dos planaltos, formam cachoeiras e corredeiras. O Rio Amazonas é um autêntico rio de planície – o Baixo Amazonas é uma hidrovia natural escoando bauxita (minério de alumínio) para usinas eletrometalúrgicas do Pará.
Bacia do Tocantins-Araguaia - É a terceira maior hidrografia brasileira em potencial hidrelétrico (28.300 MW, depois da Amazônica e a do Paraná). As usinas hidrelétricas desta bacia são a de Tucuruí (a maior da Eletronorte, produzindo 8.000 MW, a maioria subsidiada para as eletrometalúrdicas... vorazes consumidoras de energia), no Rio Tocantins (PA) e a de S. Félix, no Rio Araguaia, entre TO e MT.
Bacia do Prata - Os três principais rios (alguns dos mais extensos do mundo) que formam a bacia do Rio Prata são o Paraná (4352 km de extensão), o Paraguai (2549 km) e o Uruguai (1600 km). O estuário (lugar onde as águas de rios e oceanos se encontram) formado por eles é o maior do mundo, seu limite exterior mede 256 km e está localizado em frente a Montevidéu. Este conjunto hidrográfico é navegável por embarcações de diferentes portes.
Bacia do Paraná - É importante pela área drenada (a maior do Sudeste), pela extensão e volume (é o segundo da América do Sul, depois da Bacia Amazônica), pelo aproveitamento hidrelétrico (o maior do Brasil, 61.7% do total) e hidroviário.
Bacia do Uruguai - O Rio Uruguai surge da junção dos rios Canoas e Pelotas; seu alto curso é limite entre RS e SC; o médio Uruguai, entre Brasil e Argentina. O Alto Uruguai foi área de colonização mista alemã e italiana; nesta área situam-se cidade importantes pela agroindústria. A Bacia do Uruguai apresenta alto potencial hidrelétrico e poucos trechos navegáveis tendo apenas importância econômica regional.
Bacia do Rio Paraguai - Uma das características do Rio Paraguai (um rio de planície), em quase toda sua extensão, consiste ma regularidade apresentada pela variação periódica do seu regime. Os fatores que contribuem para o fato são: a regularidade das chuvas periódicas anuais, a extensão zona a inundação e represamento, representada pela Planície do Pantanal, as chuvas abundantes e o papel armazenador das chapadas de terrenos porosos. Além da importância econômica do Rio Paraguai como hidrovia, devemos mencionar o ecoturismo.
Bacia Fluvial do São Francisco - No período colonial do Brasil foi fundamental na ligação entre o Sertão Nordestino pecuarista e os centros minerados do Sudeste. Foi, por isto, denominado de ‘’rio da unidade nacional’’. A Bacia do São Francisco é a de segundo maior aproveitamento hidrelétrico (sobressaído-se na Região Sudeste a Usina de Três Maria, que fornece energia a Belo Horizonte e às siderurgias do Rio Doce) e a terceira em potencial (19.700 MW). É o rio que abastece a maior parte do Nordeste de energia. 

Referencia: 
*Relevo do Brasil: pt.wikipedia.org/wiki/Relevo_do_Brasil

 *LUCCI. E. A. (1999). Geografia. O Homem no espaço global 4 ed. Editora Saraiva [S.l.] pp. p. 320 a 336. ISBN 34523432. 

*GARCIA. H. C. & GARAVELLO. T. M. (2002). Geografia do Brasil I. Apostila Anglo Vestibulares 2 ed. Editora Anglo [S.l.] pp. p. 13 a 18.
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