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O Cavaleiro sem cabeça

Esta é mais uma Lenda Urbana do Cavaleiro sem cabeça Ewen.
Na Escócia, os membros do Clã MacLaine, do distrito de Lochbuie, evitam a todo o custo andar pela estrada da região durante à noite. Eles temem encontrar um dito ‘’Cavalo Espectral’’ conduzido por um cavaleiro negro sem cabeça, e ouvir seu tropel de cascos brilhantes e o tinir sinistros de rédeas. Dizem os moradores do local que esse cavaleiro anuncia mortes iminentes.

Lenda Urbana
O nome do cavaleiro é Ewen, que era filho e herdeiro Don Chefe do Clã MacLaine. Mais a inveja e ódio que sentia pelo pai, fez com que os dois caíssem em desgraça, e resolvessem as diferenças no Campo de Batalha de Lochbuie. Em 1538, os dois exércitos se encontraram e o filho acabou decapitado com um golpe de machado desferido por um dos seguidores de seu pai. Desde então, até hoje, muitas testemunhas afirmam ter visto e/ou ouvido Ewen, sem cabeça, em seu corcel negro, cavalgando para colher as almas dos Campos de Batalha.

Reza a lenda também que esse mensageiro da morte teria tido um presságio dele próprio. Na noite anterior ao conflito, Ewen teve um encontro com a Fada Lavadeira (uma figura folclórica escocesa aparentada com a Bansidhe era sua lúgubre função lavar as roupas dos guerreiros que morreriam no combate).

Ewen caminhava ao longo de um riacho quando viu a velha agachada à beira d´água, enxaguando uma pilha de camisas manchadas de sangue. Ele perguntou a ela se sua camisa estaria entre elas, e a resposta foi afirmativa. Ewen caindo no desespero, perguntou à velha se haveria algum jeito de reverter aquele prognóstico macabro. A velha disse que ele estaria livre da maldição se sua esposa, sem ser avisada, servisse manteiga para ele ao amanhecer. Mas a sorte não sorriu à Ewen, pois sua amável esposa não serviu manteiga na manhã seguinte. O infeliz mastigou estoicamente seu pão seco, rumando posteriormente para a batalha, sabendo que não retomaria.

A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça: De Irving a Burton 

Washintgon Irving nasceu em Nova York em 1783 e morreu em Tarrytown aos 76 anos de idade em 1859. Exerceu a carreira de escritor e diplomata, vivendo muito tempo na Europa. Escreveu crônicas, biografias e contos, sob diferentes pseudônimos (como Johnathan Oldstyle, Geoffrey Crayon, Diedrich Knickerbocker). Em suas obras, discutia política e história através da sátira. Foi o primeiro intelectual do país a ter reputação internacional, fazendo parte do movimento romântico. A Lenda do cavaleiro está presente no livro de The Sketch Book, publicado entre 1819 – 1820. O texto foi produzido enquanto Irving estava na Europa e é baseada no folclore de tal continente:
No conto, o professor Ichabod Crane é enviado a Sleepy Hollow para ensinar as crianças da comunidade. O lugar é encantado e os moradores parecem enfeitiçados, pois vivem em constante devaneio e acreditam em narrativa e acreditam em narrativas sobrenaturais. A lenda mais assustadora é a do cavaleiro sem cabeça. Crane estava apaixonado pro Katrina, prometida de Brom Bones, mas em uma festa é dispensado pela jovem. Ao voltar para casa, sozinho, desaparece e alguns concluem que ele foi levado pelo fantasma. Katrina com Bones.
Tim Burton, por sua vez, nasceu em Burbank, Califórnia, em 1958. Sempre teve ‘’imaginação hiperativa [...] sonhos sombrios e pesadelos coloridos e foi uma criança suburbana alienada que amava o grotesco’’ (WOODS, 2011, p.7). Iniciou sua vida profissional nos Estúdios Disney, mas não tinha liberdade para desenvolver suas idéias. Em seus filmes, mistura horror e comédia e a atmosfera importa mais que o enredo. No filme A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça, de 1999, Burton se baseia na historio de Irving para dar maior destaque ao fantasma do título, transformando-a ‘’em um conto de fadas sangrento’’ (WOODS, 2011, p 12), resultado da combinação entre o terror cinematográfico e a cultura pop. Sua versão é a primeira que explora os aspectos fantasiosos do texto original.
No filme, Ichabod Crane é enviado a Sleepy Hollow para investigar uma série e assassinatos ocorridos na comunidade. Lá, é informado que o principal suspeito é o cavaleiro sem cabeça. Apesar do medo, o detetive decide enfrentar o fantasma e acaba se apaixonando – e é correspondido – por Katrina Van Tassel, que é uma boa bruxa. Infelizmente, ela não consegue salvar o namorado Brom Bones, que é morto logo de início pelo cavaleiro sem cabeça. No fim, o fantasma é derrotado e Katrina e Crane ficam juntos. Enquanto adaptação, o filme recria a essência do conto, indo além do acréscimo entre mídias tornou mais difícil recusar o direito do cineasta à interpretação livre [...] e admite-se até que ele pode inverter determinados efeitos’’. Burton, permitindo a existência do cavaleiro sem cabeça, leva seu espectador a pergunta qual a origem do fantasma e por que ele assusta as pessoas. O texto adaptado é ponto de partida para uma nova história.
Alguns elementos narrativos do conto foram transformados no filme. O enredo deu vida a uma criatura outrora possível de inexistência; dos quarto personagens principais, dois são derrotados (Brom Bone e o cavaleiro sem cabeça); Katrina se revela uma bruxa, assim como outras duas personagens: Ichabod, do professor crente no sobrenatural, torna-se um detetive, defensor dos métodos científicos – uma prova de sua racionalidade; e o narrador, hesitante diante de todo o enredo, é agora o espectador que visualiza e atesta a veracidade dos fatos.
Estas mudanças são aceitáveis , pois nas palavras de Hutcheon (20112, p. 28), ‘’[...] há claramente várias intenções possíveis por trás do ato de adaptar: o desejo de consumir e apagar a lembrança do texto adaptado, ou de questioná-lo, é um motivo tão comum quanto a vontade de prestar homenagem, copiando-o’’. Desta maneira. Burton homenageia o escritor dando ao seu conto uma nova leitura.

O Fantástico Conto de Irving

No conto de Irving, predomina o gênero fantástico que se caracteriza, de uma forma geral, pela presença inexplicável do sobrenatural no mundo real. Ou seja, o elemento insólito invade a realidade e não tem sua origem identificada: ‘’O fantástico ocorre nesta incerteza [...] é a hesitação experimentada por um ser que se conhece as leis naturais, face a um acontecimento aparentemente sobrenatural’’ (TODOROV, 2010, p. 31). Em nenhum momento, conhecemos as motivações do cavaleiro sem cabeça – apesar de os moradores afirmarem que ele quer resgatar seu crânio existe-as vítimas desaparecem misteriosamente e nada assegura que elas foram morte por um fantasma.
Furtado (1980, p. 22) nos apresenta a distinção sente sobrenatural positivo e sobrenatural negativo, que estariam relacionados ao bem e ao mal, respectivamente. Enquanto Crane se encaixa na primeira categoria, o cavaleiro sem cabeça pertence à segunda. Tais atribuições são feitas a partir das descrições destas personagens. O professor ‘’[...] era uma curiosa mistura de pouca perspicácia e simplória credulidade’’ (IRVING, 2008, p. 24). Seu medo e bondade causam comoção e identificação no leitor. O fantasma, por sua vez, segundo o depoimento dos moradores, machuca suas vítimas, é violento com elas. A existência do espectro é defendida por uma parte dos moradores e por alguns leitores. É nesta incerteza que reside a hesitação. Crane acreditava fielmente em lendas sobrenaturais e, com frequência estando sozinho, imaginava vozes e visões. No conto, não é esta personagem que é incompreendido a aparição. Para Crane, o cavaleiro existe. E em nós leitores, que a devida se instala. E ela deve permanecer até o fim do conto para que o mesmo apresente características do fantástico. Assim ocorre no texto de Irving.
Após o último desaparecimento, os moradores comentam o destino da suposta vítima. No início, a maneira que a narrativa é apresentada leva o leitor a um suspense sobre o que vai ser relatado; ou seja, vários detalhes – como a atmosfera misteriosa do lugar, a crença gratuita de Crane, o reforço da lenda, o desaparecimento das pessoas – compõem o desenvolvimento de um episódio sobrenatural. Como consequência, a identificação com a personagem ou com o narrador, apesar de não ser obrigatória, permite um envolvimento maior com a história. Tentamos dar uma explicação ao que aconteceu com Crane. Se este acontecimento tem explicação racional, estamos diante do estranho; se o contrário, ele faz parte do maravilhoso. Furtado (1980, p. 34-35) explica que no estranho, os aspectos duvidosos são explicados de forma lógica e o destinatário deste tipo de narrativa acaba por assumir o caráter objetivo do fenômeno apresentado. Nos textos maravilhosos, um mundo arbitrário é revelado desde o início, sem discutir a existência de seus seres, e o leitor aceita aquela nova realidade. Podemos, então, culpar Brom Bones pela perseguição a Ichabod, com o objetivo de eliminar o rival na luta pelo amor de Katrina e assumir o conto de Irving como estranho. Entre força e inteligência, venceria aquela. Se, do contrário, acreditamos e defendemos a existência do fantasma, entramos no mundo do gótico maravilhoso de Tim Burton. As interpretações, obviamente, são feitas por cada leitor.

O Gótico no Filme de Burton

No filme de Burton, predomina o estilo gótico porque nele estão presentes ‘’ilusões a exotismo, heresia e ao sobrenatural com uma atmosfera de pessimismo e mau agouro’’ (KEMP, 2011, p.88). Neste estilo, cada aspecto narrativo é construído para causar pavor no leitor e no espectador através da atmosfera sombria e apavorante. Os textos deste gênero citam e distinguem, dentre outros aspectos, o bem X o mal e a vida X a morte. Surgido durante a Idade Média, o gótico ganhou destaque no período romântico trazendo um cenário assombrado como ‘’núcleo de suspense e pavor demoníaco’’ (LOVECRAFT, 2008, p. 28) em que todos os detalhes da trama são construídos com um único objetivo: causar medo ilimitado e iminente. No filme, uma combinação de fantástico e maravilhoso também está presente. O primeiro repousar na incredulidade de Crane em relação ao fantasma – o detetive é de ova York e, a princípio, não acredita em lendas interioranas, ele é adepto dos métodos científicos até o encontro do fantasma; sua dúvida logo é desfeita quando a mesma personagem relembra momentos da infância vividos com a mãe, uma bruxa boa. Talvez, por esse motivo, Crane se apaixona por Katrina. Logo, logo diante do túmulo do cavaleiro – seu corpo está enterrado na árvore dos mortos, Crane conclui que a árvore ‘’é um portal entre dois mundos’’ (A LENDA..., 1999, capítulo 10), que o cavaleiro da lenda sai de lá ‘’para pear cabeças até que a sua seja devolvida’’ (A LENDA..., 1999, capítulo 10) e que as vítimas são escolhidas por uma pessoa ‘’ de carne e osso’’ (A LENDA..., 1999, capítulo 12) que pegou a cabeça do espectro e a controla. A mandante dos crimes é Lady Van Tassel, madrasta de Katrina, que faz feitiçarias para se beneficiar e prejudicar outras pessoas. A diferença entre gótico e fantástico também repousa no processo de construção da narrativa como um todo e, especificamente, na apresentação do elemento sobrenatural. No filme, o cenário se destaca como uma personagem e, através das imagens e dos SOS, o suspense e o medo vão se estabelecendo.
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