Pesquisar este blog

Breaking News
recent

Industrialização brasileira

Para entendermos como o Brasil chegou a seu atual estágio industrial e conjuntura econômica, temos de conhecer um pouco do contexto histórico do processo de industrialização do país. Em 1919, as fábricas de tecidos, roupas, alimentos, bebidas e fumo eram responsáveis por 70% da produção industrial brasileira. Em 1939, no início da Segunda Guerra Mundial, essa porcentagem avia se reduzido para 58% por causa do aumento da participação de outros produtos, como aço, máquinas e material elétrico, mas a industrialização brasileira ainda contava, predominantemente, com a instalação de indústrias de bens de consumo não-duráveis e investimentos da capital privado nacional.

As fases da Industrialização Brasileira

Primeira Fase: Entre 1808 e 1850, marcadas pela chegada da família real no Brasil, conhecida como fase da proibição, pois a metrópole não permitia industrialização, grande concorrência com os produtos da Inglaterra, ocorreu abertura dos portos, fato que beneficiou a entrada dos produtos Ingleses, melhores e de menor custo.
Segunda Fase: Entre 1850 e 1930, ocorreu nesse período a “Lei Eusébio de Queiroz”, proibindo tráfico negreiro, o que não teve precedentes para mão de obra imigrante, que contribuíram para desenvolver a indústria, pois já conheciam o processo. Esse período é que era importado da Europa. Outro fator importante é o capital da compra de escravos passou a ser aplicado na indústria. Ocorreu um grande crescimento da indústria têxtil, por conta da produção de algodão dos EUA, prejudicada pela Guerra da Secessão 1861-1865.
Terceira Fase: Entre 1930 e 1956, Getúlio Vargas no poder, fase conhecida como “Revolução industrial”, do governo, valorização da mão de obra nacional. Getúlio investiu no setor de base, sendo seu governo altamente nacionalista. Criou a CNP, Vale do Rio Doce, CHESF. A indústria cresceu bastante no Centro-Sul do país.
Quarta Fase: De 1956 em diante. Na década de 1940, a CSN começou a produzir aço, vale salientar o plano METAS no Governo Juscelino Kubitschek que enfatizou transporte e energia como base para o crescimento industrial, abriu as portas do país para as multinacionais, principalmente automobilísticas. Na década de 1970 o Brasil deixou de ser agroexportador e passou a ser industrial, pois as exportações de manufaturas ultrapassaram a dos produtos primários, agrícolas e minerais.
Atividade industrial

Investimentos 

Em 1942, teve início um período de investimentos estatais em indústrias de base e nos setores de infra-estrutura, como energia e transportes. Com a política desenvolvimentista de Juscelino Kubitschek (1956-60), concretizada em seu Plano de Metas, instalaram-se no país filiais de indústrias multinacionais de bens de capital e de bens de consumo duráveis. Todas essas fases fizeram parte de uma política de substituição de importações que foi até o começo da década de 1970.
A associação de capitais privados, nacionais e estrangeiros, com investimentos estatais levou à formação, no Brasil, de um parque industrial complexo nos setores de bens de consumo, de produção e de capital. Contudo o volume de produtos fabricados nas indústrias de bens de capital e de produção é, até os dias de hoje, insuficiente para abastecer as necessidades de nosso parque industrial. Consequentemente, ainda é preciso importar máquinas, equipamentos e alguns produtos siderúrgicos especiais não fabricados no país.

Atividade industrial

Atualmente, a atividade industrial é responsável por cerca de 25% do PIB brasileiro. Os setores predominantes são as indústrias siderúrgicas, metalúrgicas, mecânicas, elétricas, química e petroquímica, de veículos, de alimentos e de bebidas, têxteis, de confecções, de calçados, de papel e de celulose. Em conjunto, esses setores são responsáveis por mais de 80% do produto industrial do país. Porém vem crescendo bastante o investimento em indústrias ligadas às novas tecnologias, como robótica, aeronáutica, eletrônica, telecomunicações, mecânica de precisão e biotecnologia.
Por exemplo, segundo a Pesquisa Industrial Anual do IBGE, entre 1998 e 2001, ao telefones celulares passaram a 138ª para 10ª posição dos produtos industrializados brasileiros vendidos no mercado interno e da 86ª para a 12ª posição no mercado externo. De acordo com essa pesquisa, os aviões produzidos pela Embraer foram o principal produto de exportação, ficando com a 20ª posição valor das vendas internas.
Entre os aspectos positivos da dinâmica atual da indústria brasileira, podemos destacar o grande potencial de expansão no mercado interno (caso ele se fortaleça por meio de uma política de distribuição de renda), os aumentos nos volumes absoluto e relativo nas exportações de produtos industrializados, a aumento na produtividade, a melhora da qualidade dos produtos e uma maior dispersão espacial dos estabelecimentos industriais em regiões historicamente marginalizadas. Porém a indústria ainda enfrente vários problemas que aumentam os custos e dificultam uma maior participação no mercado externo: deficiências e altos preços nos transportes, baixos investimentos públicos e privados em desenvolvimento tecnológico, baixa qualificação da força de trabalho e barreiras tarifária e não-tarifárias impostas por outros países à importação de produtos brasileiros.
A abertura da economia brasileira na década de 1990 facilitou a entrada de muitos produtos importados, forçando as empresas nacionais a se modernizarem e a incorporarem novas tecnologias ao processo produtivo para concorrerem com as empresas estrangeiras.
Assim, embora a produção industrial tenha crescido 24,8% no período 1994-2002 (segundo o Anuário Estatístico do Ministério do desenvolvimento, Indústria e Comércio), reduziu-se necessidade de mão-de-obra nas fábricas, favorecendo o desemprego estrutural.
Em função de fatores históricos e de novos investimentos em infra-estrutura de energia e transportes, entre outros, o parque industrial brasileiro vem se desconcentrando.

Importância da indústria no Brasil

A indústria tem importância crucial no país por ser um microssetor que exigir considerável investimento financeiro, por produzir os bens de maior valor da economia e empregar milhões de brasileiros. Grande parte dos bens produzidos, ou seja, os manufaturados, estão diretamente ligados à urbanização do país, como os produtos eletrodomésticos que a população usa para conforto, trabalho, saúde e bem estar.
Além disso, as retrações econômicas da indústria, não só no Brasil, provocam uma série de consequências consideravelmente ruins, como o aumento do desemprego pelo fato da demissão de trabalhadores, a elevação dos preços de produtos para compensar as perdas financeiras que pode ocasionar a inflação, a queda da arrecardação de impostos devido a diminuição das vendas do comércio e, também, e sobretudo no Brasil, a redução da capacidade de funcionamento das três esferas de governos.

A industrialização brasileira e o impacto ambiental 

Durante muito tempo, em todo o mundo, prevaleceu a ideia de que os recursos naturais do planeta eram inesgotáveis e que a Terra tinha a capacidade de se auto-regenerar infinitamente. O Brasil não fugiu a esta tendência, mas hoje sabe-se que a aquela ideia é errônea. Porém, sua consequência foi a de atividades industriais produzirem grande impacto ambiental negativo, pois não foram concebidas dentro de um modelo sustentável, e são grandes responsáveis pelos altos níveis de poluição do ar, do solo e das águas, pela distribuição de ecossistemas e pelo declínio da biodiversidade nacional. Hoje sabe-se também que esses prejuízos ambientais não são externalidades à cadeia produtiva nem à geração de lucro, como antes se imaginava, e que eles, especialmente no longo prazo, desencadeiam perdas econômicas e sociais graves que afetam a própria produtividade industrial, na forma de limitações no acesso a recursos naturais e ao fornecimento de energia, de contaminação da água usada nos processos industriais, de queda na capacidade de aquisição do consumidor, de aumento do risco de desastres climáticos destruidores e outras maneiras.
Alguns exemplos são ilustrativos. Um relatório da CETESB informou que “a qualidade do ar é significativamente influenciada pela distribuição e intensidade das emissões de poluentes atmosféricos de origem veicular e industrial”, e segundo o Primeiro Relatório de Avaliação Nacional sobre Mudanças Climáticas do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas.

Considerações finais 

Para a discussão sobre a economia brasileira e o processo de industrialização, requer-se, de acordo com a proposta Rangeliana, um governo que proporcione habilidade de gestão para atual conjuntura político-econômica em resposta ao neoliberalismo, como forma de enunciar uma política de planejamento econômico estratégico de expansão da capacidade produtiva, bem como eficazmente orçamentário e operante, tanto do ponto de vista econômico como político.
Para Rangel (2005), é essencial um plano que reforce as inovações institucionais como forma de um novo enquadramento político-administrativo que reveja a ordem de soluções e que se dirija de acordo com as novas necessidades que o processo de industrialização impõe atualmente. Assim, mais do que um Estado hábil, a economia do País necessita de um plano de ações eficazmente coerente com a realidade brasileira, em que se vise à expansão do comércio exterior, mudanças na estrutura da oferta e da procura, que são alternativas da proposta rangeliana como meios práticos de ação a ociosidade e a inflação.
Para o autor, sem a redução da ociosidade, a luta contra a inflação se converte em luta pela estagnação da economia, porque conduz à busca de um equilíbrio no estancamento ou na retração, e não no crescimento.

Você pode citar este artigo, basta copiar o texto formatado logo abaixo.
Fonte: Empresas de sucesso, Industrialização brasileira. Pesquisa: Fabiano Rodrigues. Disponível em: http://www.empresasdesucessos.com/2015/04/industrializacao-brasileira.html

Referências e Bibliografia
1*Silva, Hélio. 1889 - A república não esperou o amanhecer. Porto Alegre: L&PM, 2005. 2*Szmrecsány, Tamás and Lapa, José Roberto do Amaral. História Econômica da Independência e do Império, 2. ed. São Paulo: USP, 2002.
3*Adger, W.N. et al., 2007: Assessment of adaptation practices, options, constraints and capacity, pp. 717-743.In: Climate Change 2007: Impacts, Adaptation and Vulnerability. Contribution of Working Group II to the Fourth Assessment Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) [Parry, M.L. et al. (Eds.)]. Cambridge, UK: Cambridge University Press.
4*A agropecuária avança" por Paula Moura, in: Atualidades Vestibular 1º Semestre 2010, p.103, Editora Abril.
5*Australia, 2011: Climate Change Risks to Australia’s Coast, A First Pass National Assessment. Australian Government Report, Department of Climate Change and Energy Efficiency, Sydney, Australia, 172 pp.
6* A classificação das indústrias nos setores "tradicionais", "dinâmicas A" e "dinâmicas B" foi adotada pelo estudo A industrialização brasileira - diagnóstico e perspectivas do Ipea (Série Documentos n. 4). Tal classificação deve ser entendida como um recurso metodológico que, a esse nível de agregação, permite agrupar os ramos de acordo com as suas taxas de crescimento.
7*COUTINHO, Luciano. A terceira revolução industrial e tecnológica: as grandes tendências de mudança. Revista Economia e Sociedade , São Paulo, n. 1, p. 68-87, 1992.
8*SANTOS, Milton. A natureza do espaço — técnica e tempo. Razão e emoção. São Paulo: Hucitec, 2002.
9*O processo de industrialização no Brasil: um retrospecto a partir da dinâmica da dualidade brasileira  
10*Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas. Aglomerados Humanos, Indústria e infraestrutura
11*Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas. Aglomerados Humanos, Indústria e infraestrutura
12*O processo de industrialização no Brasil: um retrospecto a partir da dinâmica da dualidade brasileira
Empresas de sucesso

Empresas de sucesso

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe seu Comentario

Fabiano . Tecnologia do Blogger.